Wi‑Fi na cave: como obter sinal abaixo do nível do solo

O Wi‑Fi na cave falha no piso, não na distância. Use a caixa de escadas como caminho, coloque o repetidor onde veja a abertura da escada e saiba quando deve passar um cabo.

A resposta prática para o Wi‑Fi na cave começa pelo caminho entre o router e a divisão que tem de funcionar.

O router está no piso principal, a seis metros do topo das escadas da cave. Desce e as barras desaparecem algures por volta do quarto degrau. Quando chega ao sofá, o streaming está a parar para carregar e a videochamada já caiu.

Isso não significa que o router seja fraco. É geometria. A cave fica atrás do obstáculo mais dispendioso da casa, e a solução depende inteiramente do caminho que o sinal está realmente a seguir.

Três pisos sobrepostos com construção em betão, mostrando o nível da cave quase totalmente sem sinal
Construção em betão, router no piso principal. O nível abaixo do solo é o primeiro a desaparecer — e desaparece por completo.

Porque é que a cave é a divisão mais difícil da casa#

Há três fatores que se acumulam lá em baixo, e os efeitos somam-se.

O piso não é uma parede. Uma parede interior tem alguns centímetros de material de baixa densidade. O piso entre o nível principal e a cave é uma estrutura composta: subpavimento, vigas, por vezes uma camada de betão vazado e, muitas vezes, um teto acabado por baixo. Numa construção ao nível do jardim ou sobre uma laje, pode ter 10 a 20 centímetros de betão com aço no interior.

Estar abaixo do solo significa não ter ajuda do exterior. As divisões acima do solo recebem sinal por caminhos em que nunca pensa — sai por uma janela, ressalta no revestimento da casa vizinha e volta a entrar por outra. Uma cave é uma caixa de betão rodeada de terra. Nada volta a entrar.

É no teto que está todo o metal. Condutas, canalizações de água, tubos de gás, cabos elétricos, esteiras de cabos e, nas caves acabadas, uma camada de isolamento revestido de folha metálica. A conduta principal costuma atravessar o centro da casa, precisamente onde gostaria que o sinal passasse.

A caixa de escadas é o caminho do sinal#

Uma abertura de escada é um buraco no piso com vários metros de largura. Comparada com os 20 dB de uma laje, é praticamente gratuita. Esse único facto define toda a disposição:

  • O sinal entra na cave ao fundo das escadas e espalha-se a partir daí. A intensidade diminui com a distância e com cada parede divisória que atravessa depois, por isso o canto mais afastado de uma cave acabada é um segundo problema, não o mesmo problema.
  • O que importa no piso de cima é ter linha de vista para a abertura. Um repetidor no topo das escadas, ao ar livre, alimenta a caixa de escadas. O mesmo repetidor a três metros, depois de uma esquina, não.
  • Uma porta no topo das escadas custa caro. Uma porta fechada de núcleo sólido custa aproximadamente 4–6 dB e fica precisamente no ponto de estrangulamento do único caminho bom. Deixá-la aberta, ou trocá-la por uma porta envidraçada ou com grelha, é a solução mais barata deste artigo.
  • Uma caixa de escadas fechada comporta-se como um tubo. O sinal desce bem por ela e depois tem de sair por uma porta no fundo. Se houver também uma porta aí, ao fechar ambas sela a cave.

Caves com saída direta para o exterior e janelas grandes de emergência mudam este cenário: acrescentam um segundo caminho acima do solo, e um nó perto de uma janela ao nível do terreno desse lado pode ser melhor que qualquer sinal que atravesse o piso.

Onde deve ficar realmente o repetidor#

Existem apenas duas zonas candidatas sérias, e são compromissos entre si.

Zona A — topo das escadas, no piso de cima. Backhaul seguro: o repetidor fica no piso do router e tem apenas paredes interiores entre os dois. A cobertura é mais fraca, porque tudo o que transmite tem de descer pela caixa de escadas.

Zona B — fundo das escadas, na cave. A cobertura é muito melhor, porque irradia horizontalmente para o espaço em vez de atravessar verticalmente um piso. O backhaul é mais arriscado, porque o próprio repetidor tem agora de ouvir o router através da caixa de escadas.

A Zona B vence sempre que consegue um enlace sólido, o que acontece mais vezes do que as pessoas esperam — uma tomada no fundo das escadas fica frequentemente no ponto mais forte da cave. Se apresentar um valor pior que cerca de -70 dBm, mantenha a unidade no piso de cima ou use um cabo.

Quando um repetidor é a ferramenta errada#

Aqui, a honestidade é melhor que o otimismo. Com um bom posicionamento, um único repetidor normalmente leva uma cave de inutilizável — valores elevados na casa dos -80 dBm, sem conseguir manter a ligação — para cerca de -65 a -72 dBm junto às escadas, com 30–80 Mbps que diminuem à medida que se afasta. É suficiente para streaming, navegação e dispositivos inteligentes.

Não é suficiente se alguma destas situações se aplicar:

  • A cave é um escritório em casa, uma suite para arrendar ou um espaço de jogos que precisa de baixa latência constante e largura de banda de upload real.
  • O piso é uma laje armada e a caixa de escadas está fechada com portas nas duas extremidades.
  • A área acabada é grande e está dividida por paredes de blocos, pelo que um nó não consegue cobri-la, independentemente do backhaul.
  • Todas as tomadas candidatas, no piso de cima e na cave, mostram uma ligação fraca ao router.

Nesses casos, pare de repetir o sinal e comece a transportá-lo:

  • O powerline é excecionalmente bom aqui. O quadro elétrico está quase sempre na cave, por isso o percurso desde uma tomada do piso de cima é curto e muitas vezes fica no mesmo circuito — precisamente as condições de que o powerline gosta. Conte com 50–200 Mbps num par bom, bastante menos entre circuitos ou através de uma tomada GFCI ou AFCI, por isso compre num local que aceite devoluções. Onde o powerline é melhor que um repetidor e como falha explica os modos de falha.
  • A cave é o local mais fácil da casa para passar Ethernet. As vigas estão abertas, a descida desde a divisão de cima é um único furo e um ponto de acesso ligado por cabo no fundo das escadas supera qualquer solução sem fios desta página. Se já houver cabo coaxial lá em baixo — e normalmente há, porque é aí que o serviço entra — um par de adaptadores MoCA reutiliza-o como backbone de várias centenas de megabits sem tocar no pladur. Consulte passar Ethernet ou reutilizar o coaxial para MoCA.

Perguntas frequentes#

Porque é que o meu Wi‑Fi é tão mau na cave?

Porque o piso por cima bloqueia muito mais sinal que qualquer parede interior. Um piso com vigas de madeira custa normalmente 6–12 dB e uma laje de betão vazado 15–25 dB ou mais, enquanto a cave não recebe a ajuda das janelas nem dos reflexos exteriores que as divisões acima do solo recebem. A maior parte do sinal que chega à cave desce pela abertura da escada, não atravessa o piso.

Onde devo colocar um repetidor Wi‑Fi para cobrir a cave?

No topo das escadas da cave, com linha de vista desimpedida para a abertura, ou no fundo das escadas se a tomada ainda tiver uma ligação forte ao router. A posição inferior cobre muito melhor a cave, por isso experimente-a primeiro e só coloque a unidade no piso de cima se o backhaul for fraco. Evite qualquer ponto que obrigue o sinal a atravessar diretamente o piso.

Um repetidor Wi‑Fi funciona através de um piso de betão?

Não, não através do piso. Uma laje de 10 a 20 centímetros custa 15–25 dB e uma laje com vergalhões ou chapa metálica é efetivamente opaca, pelo que um repetidor dependente de um caminho vertical falha. Funciona quando usa a abertura da escada; por isso, a posição em relação à caixa de escadas importa mais que a distância até à divisão inferior.

O powerline é melhor que um repetidor para uma cave?

Muitas vezes, sim. O quadro elétrico costuma estar na cave, por isso o percurso desde uma tomada do piso de cima é curto e frequentemente fica no mesmo circuito, que é quando o powerline tem melhor desempenho — normalmente 50–200 Mbps num par bom. Também contorna completamente o piso. O desempenho desaba entre circuitos separados ou através de uma tomada GFCI ou AFCI, por isso teste-o enquanto ainda o puder devolver.

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